Sexta, 28 de abril de 2006.
A diferença entre amor e sexo é que no sexo você quer comer o corpo da outra pessoa, no amor quer comer a alma.
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Quarta, 26 de abril de 2006.
ANATOMIA DA PAIXÃO NÃO CORRESPONDIDA
(I) Do objeto de estudo
Anatomia: s.f.; estudo detalhado das partes de organismo animal; a arte de dissecar.
Notar bem, caros alunos, que a Anatomia não diz nada sobre o tratamento das doenças.
Quase toda paixão tem um quê de não correspondida. Até mesmo em casais que estão juntos, geralmente há uma desigualdade do desejo.
(II) Do surgimento
Obviamente, primeiro precisamos do surgimento de uma paixão, para que depois ela possa ser não correspondida.
O primeiro sinal da paixão é: nos cinco primeiros minutos após acordar, você já pensou na outra pessoa.
(III) Do gosto inicial
A paixão é o desejo de algo mais do que se tem. Em essência, é fantasia. Nesses primeiros momentos, portanto, ela não tem sabor.
Mas faz parte da paixão o movimento, ela irá tentar consumar seu desejo. Nesta tentativa, ou irá ser bem sucedida, ou não.
Prepare-se, desta forma, para o amargo ou para o doce.
(IV) Enquanto ainda há esperanças
Adia-se a decisão de ouvir o "sim" ou "não".
Sua vida muda. Você perde totalmente a naturalidade. Porque agora quer conquistar. Cada frase, cada gesto, tudo passa a ser pensado, calculado - isto me trará ela ou a afastará? Todo movimento é perigoso, para o apaixonado.
Inevitavelmente, as frases certas só aparecem depois que a conversa acabou.
Todo dia é um dia de histórias e movimentos.
Pior que jogo de xadrez.
(IV) Do primeiro revés
Ao primeiro sinal de um "não", vem o desejo de fugir.
Já disse o cientista: "Quando a fuga é possível, esta resposta prevalece sobre as demais; se, por outro lado, existem condições para um ataque ao oponente, a agressão defensiva é a resposta predominante."
Mas qual é o oponente? O "não" e suas conseqüências - o sofrimento. Não há formas de atacá-lo quando o barco parece que começará a virar.
(V) Da fuga e do amargo
Resolve-se, então, fugir, afastar-se.
Até então, lembremos, a paixão não tinha um sabor, além do primeiro fel do primeiro revés.
Mas já havia paixão, o desejo - enfim, a potência.
O afastamento trará o amargo. Fudeu!
Pois a potência virou falta. Você nem sabia que estava gostando tanto assim dela, mas a ausência te joga isto na cara, no coração.
(VI) Do retorno
Não, não, não!
Não pode ser! Mas é! Você está definitivamente apaixonado (a). Desejando a outra como nunca esteve. E foi apenas um pequeno revés. Você decide voltar a tentar.
(VII) Da cegueira
Nada será como antes. O amargo faz o desejo do doce virar urgência. É preciso agir, tentar, lutar.
Era evidente, e o primeiro quase "não" quis te mostrar isto.
Havia o momento certo para correr. Não aproveitou. Quis cegar-se a isso.
Agora tudo é dúvida. O que fazer para sair desta?
(VIII) Da confusão
Neste momento, desejos diferentes se misturam.
Desejo de ter, desejo de esquecer, desejo de não se humilhar.
Perdido no deserto. Cada momento age de um jeito, levado pela preponderância de um destes desejos.
Boa parte da angústia, na verdade, não é a paixão, mas só a dúvida do caminho seguro a tomar. Mas não há caminho certo, e sua ação a cada minuto é diferente. Afasta-se, volta, dá bandeira, afasta-se novamente.
Ela pensa que você está louco (a).
(E está!)
(IX) O xeque-mate
E a resposta: "não!"
(X) Da incompreensibilidade
Você não sofre porque não pode voar. Se pudesse, seria legal, mas você nunca pôde, então você nem pensa nisso.
Mas um dia você já quis alguém e já teve. Então, conquistar pessoas é algo possível.
Porém, esta você não conseguiu. Por que não, se é possível conquistar pessoas? Por que não? Por que não?
Se estivesse perdido em uma floresta, saberia que andando em linha reta chegaria a algum lugar.
Mas onde você está agora, no oco do mundo, não há caminho, não na saída, não há mesmo chão.
I`m sorry.
(Fernando César)
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